Definiendo el amor
Es hielo abrasador, es fuego helado,
es herida, que duele y no se siente,
es un soñado bien, un mal presente,
es un breve descanso muy cansado.
Es un descuido, que nos da cuidado,
un cobarde, con nombre de valiente,
un andar solitario entre la gente,
un amar solamente ser amado.
Es una libertad encarcelada,
que dura hasta el postrero paroxismo,
enfermedad que crece si es curada.
Éste es el niño Amor, éste es tu abismo:
mirad cuál amistad tendrá con nada,
el que en todo es contrario de sí mismo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Demônios
Tenho medo constante. Como se estivesse sendo seguida, observada. Possuída. No escuro, não me basta acender uma vela e os demônios se esconderão. Me esperaram na porta do meu quarto, para onde vou correndo toda vez que escurece. É o meu refúgio. Onde meus santos estão livres do meu corpo e a alma pode tornar-se ânima. Meus deuses poetas estão libertos, mas o apelo às musas inspiradoras não os tem animado muito. São tantos os demônios na porta do meu quarto que a comunicação espiritual resulta ínfima. Da informação, eles colhem o que há de mais vivo, e o tártaro o deixam lá. Lá no Tártaro. É onde estão meus ânimos.
Sinto que os demônios conseguiram invadir meu bucólico campo, e não há mais ninfas que os queimem. Onde me esconder, onde me refugiar, se o bucólico já não o é mais. É urbano. Foi invadido. Nem em cantos amebeus sou capaz de desafiar os meus demônios. Nem em versos livres. Perdi meu argumento, minha oração, minha palavra. Agora sou gestos.
Muda, meus demônios não me acharão. E se me virem andando pelos clarões da cidade, eu, sem voz, não me possuirão. Dentro de mim, é onde me resta ânima.
Sinto que os demônios conseguiram invadir meu bucólico campo, e não há mais ninfas que os queimem. Onde me esconder, onde me refugiar, se o bucólico já não o é mais. É urbano. Foi invadido. Nem em cantos amebeus sou capaz de desafiar os meus demônios. Nem em versos livres. Perdi meu argumento, minha oração, minha palavra. Agora sou gestos.
Muda, meus demônios não me acharão. E se me virem andando pelos clarões da cidade, eu, sem voz, não me possuirão. Dentro de mim, é onde me resta ânima.
domingo, 28 de outubro de 2012
Gustavo Adolfo Bécquer 2
Rima XXIII
Por una mirada, un mundo ;
por una sonrisa, un cielo ;
por un beso... yo no sé
que te diera por un beso.
Do livro: Rimas
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Nostalgia
Recordar a nostalgia são releituras das lembranças de anos ou de ontem. Nostalgia é um sentimento só, assim como o ser é um só e a percepção é uma só. Não existe comparação sem o elemento comparativo, assim como não existe a comparação de elementos não diacrônicos. A questão é a sincronia de momentos que torna uma comparação em metáfora. A questão da nostalgia é a sutileza de retomar sentenças antigas e fazê-las clássicas. O amor de outrora não é mais o de hoje. A cumplicidade de outro ano não é mais cúmplice de uma amizade. É a sutileza de fazer uma anáfora seguir sendo simples e intensa. A simplicidade de fazer uma aliteração implícita. É o silêncio do externo que ecoa feito consoantes numa cabeça veloz.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Aldous Huxley
A verdade é a libertação; mas, por outro lado, não é prudente acordar o cão que dorme e muito menos provocar o que não dorme.Convém ter em mente que as guerras mais implacáveis não são as que se travam em torno das coisas; e sim as que se travam em torno das tolices que os idealistas eloquentes disseram sobre as coisas - em outras palavras, as guerras religiosas. O que é uma limonada? Algo que se fabrica com limões. E o que é uma cruzada? Algo que se fabrica com cruzes - um processo de violência gratuita originada numa obsessão por símbolos mal definidos. "Que ledes, meu senhor?" "Palavras, palavras, palavras". E o que faz uma palavra? Resposta: cadáveres, milhões de cadáveres. E a moral disto é: não abra o bico; ou, se não puder deixar de abri-lo, nunca leve muito a sério o que venha a sair dele.
Katy mantinha os nossos bicos firmemente trancados. Possuía a sabedoria instintiva que faz tabu dos insultos éticos (e a fortiori das algaravias científicas), enquanto tacitamente aceita como fatos consumados os atos diurnos e noturnos a que eles se referem. Em silêncio, um ato é um ato é um ato. Verbalizado e discutido, ele se transforma num problema moral, mum casus belii, numa fonte de neuroses.
Do livro: O Gênio e a Deusa
Katy mantinha os nossos bicos firmemente trancados. Possuía a sabedoria instintiva que faz tabu dos insultos éticos (e a fortiori das algaravias científicas), enquanto tacitamente aceita como fatos consumados os atos diurnos e noturnos a que eles se referem. Em silêncio, um ato é um ato é um ato. Verbalizado e discutido, ele se transforma num problema moral, mum casus belii, numa fonte de neuroses.
Do livro: O Gênio e a Deusa
terça-feira, 17 de julho de 2012
Genius
Estou no meu refúgio, o refúgio das obsessões. A beleza é dispensável quando se é capaz de sentir por debaixo da pele. Com minhas obsessões, estou chegando lá: debaixo da pele. Neste lugar, sou espaçosa, meu corpo são meus pensamentos, e cada reflexão é um pico de prazer. Não sou organizada, mas sou calma, porém ansiosa - por fora.
Como é possível se entediar consigo mesmo, se uma pessoa é genial em seus ossos. A questão está na pele, nem toda pessoa é genial na pele. Na pele, eu sou a linha tênue entre minha vaidade e minha genialidade.
Como é possível se entediar consigo mesmo, se uma pessoa é genial em seus ossos. A questão está na pele, nem toda pessoa é genial na pele. Na pele, eu sou a linha tênue entre minha vaidade e minha genialidade.
domingo, 13 de maio de 2012
Crime
Cometi um crime horrível. Me rendi ao Amor, o louco e ganancioso. Não sei onde esconder meus sonhos e meus Sonhos. Fui testemunha de um crime terrível, e agora não sei o que fazer com a minha mente. Onde ela está?
Tentei buscar minha razão no beco onde meu amor foi sequestrado - escuro, sujo, vazio. Só se ouve o eco da minha voz. O eco do meu sentimento; o eco do dia em que o Amor me raptou.
Esse crime me consome. Não sei como durmo todos as noites. Durmo mal, mas durmo. O Amor me envolveu, me conquistou com todo seu charme e me fez descobrir o amor. Um homem me fez mulher, e uma mulher não é mais uma menina. O Amor me tirou o que me restava de puro, e me contaminou com seu veneno - chamam, pelas ruas, de tesão. Me deu uma arma, e me disse: "ou ele ou eu; ou ela ou eu". E das atitudes fiz a arma, e das lágrimas, o sangue do assassinado. Matei o Sonho. Matei dois sonhos. Feri o Amor dos meus sonhos, o amor do Sonho.
E agora vivo assim, covarde de amar além do Amor. Estou a ponto de me entregar ao meu sequestrador, de lhe contar aonde pode estar o meu coração, pelas ruas da cidade; e quiçá um dia eu queira sair dessa.
Tentei buscar minha razão no beco onde meu amor foi sequestrado - escuro, sujo, vazio. Só se ouve o eco da minha voz. O eco do meu sentimento; o eco do dia em que o Amor me raptou.
Esse crime me consome. Não sei como durmo todos as noites. Durmo mal, mas durmo. O Amor me envolveu, me conquistou com todo seu charme e me fez descobrir o amor. Um homem me fez mulher, e uma mulher não é mais uma menina. O Amor me tirou o que me restava de puro, e me contaminou com seu veneno - chamam, pelas ruas, de tesão. Me deu uma arma, e me disse: "ou ele ou eu; ou ela ou eu". E das atitudes fiz a arma, e das lágrimas, o sangue do assassinado. Matei o Sonho. Matei dois sonhos. Feri o Amor dos meus sonhos, o amor do Sonho.
E agora vivo assim, covarde de amar além do Amor. Estou a ponto de me entregar ao meu sequestrador, de lhe contar aonde pode estar o meu coração, pelas ruas da cidade; e quiçá um dia eu queira sair dessa.
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