quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Perspicaz luciérnaga

Yo me decía de la persistencia
como un lema de sangre
que de igual me escurre constante,
lo escupo para fuera de mi cuerpo.

Acá hay volcanes en eternas erupciones
del instante, de infinitos instantes,
del sencillo instante que me apasiona,
al gran amor que me compone.

Mis manos en frenesí:
apuntan cualquier palabra que escuchan decir de la delicada alma de fuertes ojos de la luciérnaga, enlazan a sus conceptos de dolores en un capullo y esperan que se crean callos y que cesen con la lluvia.

La luciérnaga, de tan tierna, no nació mariposa sino luciérnaga.
Me revolvió de mi capullo, me tocó con sus dedos de luz, y seguía cada letra que salía de mi lenguaje.
Perspicaz es la Lucía, nombre que le dí. Tan lindo fue entonarlo, ver mi boca llenarse de luz.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Espero uma notícia boa

Espero uma notícia boa
do homem a quem me submeti;
aguardo a revelação das nuvens
para o homem a quem me entreguei;
rogo para que a noite lhe calme os olhos
do homem que me sucumbiu;
espero uma notícia boa
de quando me reerguer,
espero uma notícia boa
que venha de dentro de mim,
espero uma notícia boa
de tempos de força,
espero uma notícia boa
que seja em forma de luta.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Gioconda Belli

Y Dios me hizo mujer

Con curvas
y pliegues
y suaves hondonadas
y me cavó por dentro,
me hizo un taller de seres humanos.
Tejió delicadamente mis nervios
y balanceó con cuidado
el número de mis hormonas.
Compuso mi sangre
y me inyectó con ella
para que irrigara
todo mi cuerpo;
nacieron así las ideas,
los sueños,
el instinto.
Todo lo que creó suavemente
a martillazos de soplidos
y taladrazos de amor,
las mil y una cosas que me hacen mujer todos los días
por las que me levanto orgullosa
todas las mañanas

y bendigo mi sexo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Não-dito

Para todo o meu não-dito,
me distancio do silêncio e
acendo uma vela de arruda e sal grosso.

Para todo o meu indizível,
me aproximo da linguagem e
desenho com os olhos minha voz fraca.

Para toda a minha memória,
me adentro no plano astral e
visito a arquitetura dos meus sonhos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Raposa atrapada

Ciclos críticos são
concretos na repartição entre raposas,
a feroz e a mansa,
 para o grande pai.

Intracircular, no micro são linhas tortas,
dubitáveis, contornam a outros ciclos,
 e muitas vírgulas são postas aquém da pausa.

A jovem raposa, quando de olhos abertos,
 sente o peso de suas mais sensoriais escolhas.

 Egoicamente, ela é raposa, e o ser são máscara de tragédias e fábulas.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Allen Ginsberg

Canção


"O peso do mundo
         é o amor.
Sob o fardo
       da solidão,
sob o fardo
      da insatisfação


       o peso
o peso que carregamos
        é o amor.


Quem poderia negá-lo?
          Em sonhos
nos toca
      o corpo,
em pensamentos
        constrói
um milagre,
         na imaginação
aflige-se
         até tornar-se
humano —


sai para fora do coração
         ardendo de pureza —


pois o fardo da vida
          é o amor,


mas nós carregamos o peso
           cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
          finalmente
temos que descansar nos braços
           do amor.


Nenhum descanso
        sem amor,
nenhum sono
        sem sonhos
de amor —
           quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
           ou por máquinas,
o último desejo
          é o amor
— não pode ser amargo
         não pode ser negado
não pode ser contido
           quando negado:


o peso é demasiado

          — deve dar-se
sem nada de volta
         assim como o pensamento
é dado
         na solidão
em toda a excelência
         do seu excesso.


Os corpos quentes
          brilham juntos
na escuridão,
          a mão se move
para o centro
        da carne,
a pele treme
          na felicidade
e a alma sobe
         feliz até o olho —


sim, sim,
           é isso que
eu queria,
          eu sempre quis,
eu sempre quis
         voltar
ao corpo

         em que nasci."
me resta tanto a dizer, a tantas pessoas,
tanta pele a ser descamada, tanta luz a ser bem iluminada,
que não sei nem aonde escrever: em um caderno, para que eu possa
lhe entregar a minha letra, e para que você possa completar
meu pensamento com um desenho?
com um gesto, um movimento? ou com o silêncio?