Fagulha
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
do nascimento a mais da palavra.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Lúcia Castello Branco
Coisas difíceis de dizer
Que não queremos mais comer
Que o amor acabou
"Por favor, não me abandone"
Adeus
Que não queremos mais comer
Que o amor acabou
"Por favor, não me abandone"
Adeus
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Quereres
Querer estar e não estar.
Querer isolar-se e não ser uma ilha.
Querer sentir mas sentir duas coisas
ao mesmo tempo ou ora uma
ou ora outra ou ora ao mesmo tempo.
Querer explodir mas explodir
por dentro e não por fora.
Querer e não merecer.
Querer isolar-se e não ser uma ilha.
Querer sentir mas sentir duas coisas
ao mesmo tempo ou ora uma
ou ora outra ou ora ao mesmo tempo.
Querer explodir mas explodir
por dentro e não por fora.
Querer e não merecer.
domingo, 9 de junho de 2013
Degraus
Foi preciso tatear escada abaixo para não cair neste escuro. Passos gentis e pacientes, porém medrosos; não sei o que me rodeia, o que me aguarda. E esta façanha, de descer os degraus, soluciona o mistério do que haveria de tenebroso no fim da escadaria: afinal, apenas eu tive o prazer de guardar tão intensas e amáveis lembranças.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Parede preta
Escrevi nas paredes coisas de loucura com
tinta preta e letra simples.
Marcadas, as loucuras, elas podem
pairar por entre os sonhos e encontrar
algum lugar que se fixem e pensem,
talvez, com suas loucas mentes,
loucuras de como ser, de onde estar,
de qual viver - o sonho, a parede, o ar
ou a realidade, afinal, se é louco,
nada convencional há de ser, estar ou viver.
tinta preta e letra simples.
Marcadas, as loucuras, elas podem
pairar por entre os sonhos e encontrar
algum lugar que se fixem e pensem,
talvez, com suas loucas mentes,
loucuras de como ser, de onde estar,
de qual viver - o sonho, a parede, o ar
ou a realidade, afinal, se é louco,
nada convencional há de ser, estar ou viver.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Oceano além
Não sou muito além
do que é passível de ir além:
sigo além até o além de um oceano.
Não vou muito além
do que é possível de partir além,
ando além pela margem do oceano.
Não dou muito além
do que é perceptível de agir além;
faço além do além do oceano.
do que é passível de ir além:
sigo além até o além de um oceano.
Não vou muito além
do que é possível de partir além,
ando além pela margem do oceano.
Não dou muito além
do que é perceptível de agir além;
faço além do além do oceano.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Tempo impassível
O tempo não passa, o
tempo não para, o
tempo não passa, o
tempo não parte, o
tempo não passa, o
tempo não pare o tempo
bom; o tempo ruim
não passa, o
tempo não perece.
tempo não para, o
tempo não passa, o
tempo não parte, o
tempo não passa, o
tempo não pare o tempo
bom; o tempo ruim
não passa, o
tempo não perece.
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