Meu sorriso tem o nome de um rapaz
de tão bela voz, e uma calma que me inquieta.
Sua presença me acelera;
seu toque me tenta
aos tropeços,
sem tato,
no entato,
tal toque
é o tambor
tremoroso,
tremendo,
estrondoso;
e termino
o tentar,
transformo-o
em tornar,
encontrar
um jeito
de tê-lo
tão perto,
tão certo,
incorreto,
imperfeito,
este feito,
este tom,
meio tom,
para mim.
Rapaz são, de tão série expressão; sua ausência me acalmou.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O silêncio
Não queria ter de lhe suplicar palavras, meu velho amor. Seu silêncio me engana; sei que esta é a sua expressão. Você me conta sobre seu dia, enquanto eu ouço "Não te chamarei mais de amor. Sejamos amigas"; enquanto eu penso "Chama-me de amor, diga que me ama hoje, diga que sente minha falta"; enquanto você diz que não quer mais estar aqui, que vai dormir, e eu lhe peço, diga que me quer em sua cama, que quer se deitar comigo. Mas não. O silêncio é a sua expressão; seu silêncio não me engana, seu silêncio me diz "Nada tenho a dizer, nem para você".
domingo, 26 de setembro de 2010
A minha menina
Para a minha menina, meus pensamentos. Minhas singelas lembranças. Minhas palavras. Pois eu seria capaz de muito...
Transformaria letras, emabaralharia-as, e juntaria-as novamente, para que nada fosse previsível. Moldaria-as no formato da palavra "amor", e torceria para que se eternizassem em alguma mente insana de paixão.
Inventaria-me para me acomodar nos sonhos, não fugindo da realidade, mas escapando de casa para vê-la. Que o farei, sim, algum dia.
Foram 193 passos silenciosos até a porta de casa, mas longas caminhadas até a minha menina, do outro lado do país. A minha menina, que vive de ruídos mudos.
Transformaria letras, emabaralharia-as, e juntaria-as novamente, para que nada fosse previsível. Moldaria-as no formato da palavra "amor", e torceria para que se eternizassem em alguma mente insana de paixão.
Inventaria-me para me acomodar nos sonhos, não fugindo da realidade, mas escapando de casa para vê-la. Que o farei, sim, algum dia.
Foram 193 passos silenciosos até a porta de casa, mas longas caminhadas até a minha menina, do outro lado do país. A minha menina, que vive de ruídos mudos.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Mar de fogo
Entre a confusão de vozes, não há destaque. A visão embaçada da embriaguez não me permitiu ver que um estilo pode ser tão singelo assim, mas o que eu queria não era simples quanto imaginei.
A canção que me acordou, e a voz saltou como se o óbvio não pudera ser mais do que já é. Caí em um mar de fogo, meio-sentimentos e silêncio; um único som: as chamas. E pela correnteza... eu vou.
A canção que me acordou, e a voz saltou como se o óbvio não pudera ser mais do que já é. Caí em um mar de fogo, meio-sentimentos e silêncio; um único som: as chamas. E pela correnteza... eu vou.
domingo, 29 de agosto de 2010
Estação
Essa noite sonhei de novo com você, meu amor. Eu estava a caminho de suas terras, nos trilhos. Me deliciava com o gélido vento que perpassava pelo trem, de braços cruzados na intenção de me esquentar, além dos grossos casacos que havia me sugerido levar. Entretanto, a paisagem não apetecia à minha curiosidade, no instante em que minha imaginação me entretia um tanto mais. Sabe do que falo, do que sempre falo, do que vivo falando: você.
Ao por o primeiro pé na estação, te vi. Nunca te vi tão real, tão bonita. E minha. Você me viu também. Não sabíamos o que fazer em meio a tanto êxtase; a felicidade saltou das minhas pernas, que foram ao seu encontro; não eu, elas. E você, a alegria irradiava dos seus braços, que nos envolveu em um momento que antes nos era tão... utópico. Então acordei.
Então acordei e me lembrei de que um amor assim não existirá até quando aquele momento nos for real.
Ao por o primeiro pé na estação, te vi. Nunca te vi tão real, tão bonita. E minha. Você me viu também. Não sabíamos o que fazer em meio a tanto êxtase; a felicidade saltou das minhas pernas, que foram ao seu encontro; não eu, elas. E você, a alegria irradiava dos seus braços, que nos envolveu em um momento que antes nos era tão... utópico. Então acordei.
Então acordei e me lembrei de que um amor assim não existirá até quando aquele momento nos for real.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Gustavo Adolfo Bécquer
Rima XXI
—¿Qué es poesía?, dices, mientras clavas
en mi pupila tu pupila azul,
¡Qué es poesía! ¿Y tú me lo preguntas?
Poesía... eres tú.
—¿Qué es poesía?, dices, mientras clavas
en mi pupila tu pupila azul,
¡Qué es poesía! ¿Y tú me lo preguntas?
Poesía... eres tú.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O mirante
(A cidade se fundiu com o céu.)
Alto cá cada luz é cada casa, cada carro, cada caminho. Alto cá cada carinho era precavido, cada caso uma enclave, toda a encosta eram canções.
Alto lá cada luz era dos seus olhos, todo o calor era do seu corpo, cada limite era meu, todo o amor era seu. Alto lá cada minuto era nosso.
Alto cá, as lembranças se cansaram; toda a luz se calou, todo o som se abafou. Cada cara era rara, cada encosto era caro; casa sonho era raro, cada palavra era escassa.
Alto lá! A calmaria se calou.
Alto cá cada luz é cada casa, cada carro, cada caminho. Alto cá cada carinho era precavido, cada caso uma enclave, toda a encosta eram canções.
Alto lá cada luz era dos seus olhos, todo o calor era do seu corpo, cada limite era meu, todo o amor era seu. Alto lá cada minuto era nosso.
Alto cá, as lembranças se cansaram; toda a luz se calou, todo o som se abafou. Cada cara era rara, cada encosto era caro; casa sonho era raro, cada palavra era escassa.
Alto lá! A calmaria se calou.
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