domingo, 1 de junho de 2014

Se me é possível

Como me é possível
criar versinhos e pensá-los como máximas?
Crescer um amor e inventá-lo
às minhas madeixas?
Cortá-las e mudá-las não tão fácil
quanto carimbar o coração com o
selo, extrangeiro, do amor universal.
Amor é terreno, etéreo no pensamento.
Pode um trovão ser declarações do céu?
Pode a chuva desanuviar, enfim?
Podem amantes comunicarem por
telepatia e viverem o sentimento no éter?
Como nos é possível
compreender o que não se vê?
Não se entende, não se é.
Se me é possível amar, não haverá fim
na vida onde meus pés tocam o chão.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Sendero

Si piensas en el después,
en el final del sendero,
de este trayecto nuestro
tan escondido y verde,
que buscamos vida
para sentirnos enamorados
no solo de la pasión, del mundo, sino
también del amor.
Si lo piensas, si crees en el fin,
que todo se acabará, si hay
otro bosque, otro amor,
otra razón y deseos,
hágalo elocuentemente.
Que tu boca no se separe
de la mía, que no dejes de
respirarme, que no pares de
besarme, mientras todo.
Hágalo intensamente,
durante nuestro camino,
y cuando sea el final,
el final del sendero,
que lo pienses, y
sea lo que sea.

Gustavo Adolfo Bécquer 3

Rima IV

No digáis que, agotado su tesoro, 
de asuntos falta, enmudeció la lira; 
podrá no haber poetas; pero siempre 
habrá poesía. 

Mientras las ondas de la luz al beso 
palpiten encendidas, 
mientras el sol las desgarradas nubes 
de fuego y oro vista, 
mientras el aire en su regazo lleve 
perfumes y armonías, 
mientras haya en el mundo primavera, 
¡habrá poesía! 

Mientras la ciencia a descubrir no alcance 
las fuentes de la vida, 
y en el mar o en el cielo haya un abismo 
que al cálculo resista, 
mientras la humanidad siempre avanzando 
no sepa a dó camina, 
mientras haya un misterio para el hombre, 
¡habrá poesía! 

Mientras se sienta que se ríe el alma, 
sin que los labios rían; 
mientras se llore, sin que el llanto acuda 
a nublar la pupila; 
mientras el corazón y la cabeza 
batallando prosigan, 
mientras haya esperanzas y recuerdos, 
¡habrá poesía! 

Mientras haya unos ojos que reflejen 
los ojos que los miran, 
mientras responda el labio suspirando 
al labio que suspira, 
mientras sentirse puedan en un beso 
dos almas confundidas, 
mientras exista una mujer hermosa, 
¡habrá poesía!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Barco

Eres pasión en forma de barco,
te mueves como olas, seductora,
chica guapa, navegas por el mar
que es el mundo que son los sueños,
y sigues porque tienes ganas de no
apenas vivir sino también navegar,
así que, mientras seas la capitán
de tu navío, vete tirando por ahí,
intentaré ayudarte con las tempestades,
nos quedamos en noches tranquilas,
te invito a ver el cielo reflejado en el mar,
si me permites subir en tu embarcación,
participar de tu viaje.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Carlos Drummond de Andrade

Não passou

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?

Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.



As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Presentes

O presente nos é dado de presente,
então,
se imagine em um presépio onde você concebeu a si mesma
e neste presépio você é a única pessoa que
preza pela sua própria presença,
porque
você é sua própria presa,
presidiária em um presente chamado presépio,
em um presépio chamado presente,
tão preciso quanto a prepotência.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Balcão

Todos saem ao balcão neste início de noite. O céu está lindo, o dia não está nublado, vale a pena. Vale a pena sair de dentro da sala ou do quarto e ver o movimento da rua da frente, até os vizinhos que sairam ao balcão. Me sentei à metade, entre a porta e o lado de fora. Cansei de estar muito dentro ou muito fora, cansei de escrever à beira do precipício que é um edifício.