Y Dios me hizo mujer
Con curvas
y pliegues
y suaves hondonadas
y me cavó por dentro,
me hizo un taller de seres humanos.
Tejió delicadamente mis nervios
y balanceó con cuidado
el número de mis hormonas.
Compuso mi sangre
y me inyectó con ella
para que irrigara
todo mi cuerpo;
nacieron así las ideas,
los sueños,
el instinto.
Todo lo que creó suavemente
a martillazos de soplidos
y taladrazos de amor,
las mil y una cosas que me hacen mujer todos los días
por las que me levanto orgullosa
todas las mañanas
y bendigo mi sexo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Não-dito
Para todo o meu não-dito,
me distancio do silêncio e
acendo uma vela de arruda e sal grosso.
Para todo o meu indizível,
me aproximo da linguagem e
desenho com os olhos minha voz fraca.
Para toda a minha memória,
me adentro no plano astral e
visito a arquitetura dos meus sonhos.
me distancio do silêncio e
acendo uma vela de arruda e sal grosso.
Para todo o meu indizível,
me aproximo da linguagem e
desenho com os olhos minha voz fraca.
Para toda a minha memória,
me adentro no plano astral e
visito a arquitetura dos meus sonhos.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Raposa atrapada
Ciclos críticos são
concretos na repartição entre raposas,
a feroz e a mansa,
para o grande pai.
Intracircular, no micro são linhas tortas,
dubitáveis, contornam a outros ciclos,
e muitas vírgulas são postas aquém da pausa.
A jovem raposa, quando de olhos abertos,
sente o peso de suas mais sensoriais escolhas.
Egoicamente, ela é raposa, e o ser são máscara de tragédias e fábulas.
concretos na repartição entre raposas,
a feroz e a mansa,
para o grande pai.
Intracircular, no micro são linhas tortas,
dubitáveis, contornam a outros ciclos,
e muitas vírgulas são postas aquém da pausa.
A jovem raposa, quando de olhos abertos,
sente o peso de suas mais sensoriais escolhas.
Egoicamente, ela é raposa, e o ser são máscara de tragédias e fábulas.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Allen Ginsberg
Canção
"O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano —
sai para fora do coração
ardendo de pureza —
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor —
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
— não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contido
quando negado:
o peso é demasiado
— deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho —
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci."
"O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano —
sai para fora do coração
ardendo de pureza —
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor —
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
— não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contido
quando negado:
o peso é demasiado
— deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho —
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci."
me resta tanto a dizer, a tantas pessoas,
tanta pele a ser descamada, tanta luz a ser bem iluminada,
que não sei nem aonde escrever: em um caderno, para que eu possa
lhe entregar a minha letra, e para que você possa completar
meu pensamento com um desenho?
com um gesto, um movimento? ou com o silêncio?
tanta pele a ser descamada, tanta luz a ser bem iluminada,
que não sei nem aonde escrever: em um caderno, para que eu possa
lhe entregar a minha letra, e para que você possa completar
meu pensamento com um desenho?
com um gesto, um movimento? ou com o silêncio?
domingo, 19 de julho de 2015
escuridão entre linhas
na escuridão eu sei que deveria acender uma luz, e por mais que você continue falando comigo sobre todos aqueles vivos e mortos que não compreendo, tateio na cômoda o interruptor do abajour, e por mais que eu não saiba falar francês ou alemão, não quero ter de dizer em outras línguas que meu coração fala com o olhar, mas na escuridão você provavelmente não sabe se eu te fito intensamente ou se meus olhos descansam, até sua visão se acostumar, e assim adaptando-se, percebo que não sei lidar com muitas questões, enquanto estamos na cama, com a luz da lâmpada virada para cima, para não nos ofuscar ou nos por em holofotes, e entendendo de tal maneira, não sei realizar se você realmente está à minha frente ou é se sou eu que me encaro e, apesar da escuridão, sei exatamente quem sou onde sou o que penso com quais intensidade e pausas eu conecto o mundo e minhas impressões. você sou eu, eu sou a luz, minha leitura são minhas palavras, minha voz é minha boca, minha compreensão são meus ouvidos, meu gosto é meu paladar, minha acidez é minha vivacidade, meu vômito é cinza, e meu cotidiano não é arte, é cabeça contra parede. sou verborrágica porque não sei mais o que eclodir, não capacito para onde lançar-me. não sei a qual linha me anoto, qual caverna desenhar para me isolar de um mundo de escolas literárias que não me encaixo nem em batidas, nem em câmeras, ou pinturas, ou canções. qual luz deverá ser a positiva ideia da existência que me tirará o sofrimento da rachadura do meu crânio, este que se volta ao muro quase por automático instinto, que me mantem desperta, porém desejosa de grandes sonhos, mas que não sejam reais, muito menos pictóricos, mas surrealistas, em outras membranas. na escuridão, eu sei, só quero sair daqui.
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