sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pronome

Você. Você que cresceu. Você que me deu alegrias. Que me leu com cuidado. Que escreveu em um papel: "sou seu"; você de outro gênero. Você que sorri. Que diz sobre amor. Que têm olhos de carinho. Você que se fixa. Que se prende. Que amarra o olhar. Você que segura o ar. Que o solta num suspiro. Você que perde o fôlego. Que se cansa. Que se envolve. Você que dança escondida. Que ri. Que sente. Que não demonstra. Você que eu percebo. Que eu noto. Que eu vejo. Que eu cuido. Você que me trata. Você.

Tu. Tu que estais a me amar. A me calentar. A me abraçar. A me confiar. Tu que estais a me salvar. A me tirar do desapego. A me desassossegar. Tu que sabes do que eu gosto. Do que eu ouço. Do que eu finjo. Tu que me conheces. Que me é. Tu que me pertences.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Entre nós

Para a maior dona dos meus sorrisos. Um beijo roubado, de início. Um abraço apertado, para lhe sentir. Uma mão que aperta a sua, para confirmar... O amor.

Entre sussurros, lhe confessei meus sentimentos, há muito tempo ansiosos para se tornarem palavras - aquelas que você guardará no coração.
Entre quatro paredes, lhe disse sobre meus desejos. A cada toque, uma reação. A cada reação, um pulso. A cada pulso, um tesão. A cada tesão, a liberdade... A liberdade de lhe ser íntima, de encontrar seu íntimo. De lhe descobrir, lhe descubrir.
Entre o amor, há você e eu.

Entre o amor, me salvo... (de tentações mundanas)
Entre o amor, lhe confio... (minhas emoções)
Entre o amor, nos vemos... (de longe, como quem quer estar por perto)

Entre os passos, nosso encontro. Entre os corações, você.

Arrepio

O que é o amor, senão as semelhanças de dois corações esperançosos? Dois corações que não se completam nem se repelem, se somam, se acumulam e resultam em um sentimento só.

Você não arrepia quando sente a falta que quem lhe mudou? Você se lembra? Se lembra de mim? Não arrepia quando lhe some da cabeça quem você precisa, quem um dia lhe fez desabar sobre a vida já feita, para cambiarse? Quem lhe trouxe de volta sonhos antigos.

O esquecimento não cai - impossível. Alguém que mudou intensamente meu eu-pensante, meu eu-lírico, meu eu, eu, meu eu em você. Uma sensibilidade de tanta clareza que, de um modo tão sutil, tocou-me no mais íntimo, para fazer-me sorrir e deslumbrar-me: comigo mesma, com você.

Don't you shiver?



Para alguém de outro planeta, dentre estrelas e diamantes.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Noite

(O céu...)
Sombrio, não se faz indiferente. Faz-se impaciente.
Escuro, não se está imutável. Colore-se.
Longo, não se vê limitado. Supõe-se infinito.
Silencioso, não se ouve sua voz. Fala-se distante.
Ornamentado, não se toca. Destaca-se.

Quebra-se o ruído de sua constância. O negro torna-se azul, marinho como o mar - reflexo de si -, voltando-se para a cor da paixão, em meio ao dourado do toque, e ao azul da esperança de um novo dia.

O céu das cinco da madrugada rompe-se, derrotado, com a fúria do Sol. Adapta-se, então, para a próxima noite de habitualidades.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Olhos a curta distância

Se todos os olhos vissem como os meus, demais pensamentos seriam dispensáveis. Uma bela garota seria a perfeição, a poucos centímetros do meu rosto.

Detalhes de um corpo excitariam um coracão, e a nudez seria mais do que tesão pelo desejo. O tato aguçaria, com um rosto a poucos centímetros do meu.

Um estorvo me embaçaria; no entanto, da inquietação faz-se quase uma dávida. O que torna-se tão nítido, a poucos centímetros dos meus olhos, desenvolve-se cego, longínquo.

Visão que se confude, porém, enquanto detalhista, a tão poucos centímetros, enxerga o que não viu. A cegueira que delimita e acusa, talvez, apaixona-se pelo cego à frente.

Ventos

Alguns ventos carregam areia em seus olhos, balançam a cegueira das rugas em seus braços. Marcham suave, e seus pés levam a solidão de um carinho às avessas.

Alguns olhos, secos, irritam-se, em confronto com o vento. Aqueles protegidos - molhados por dentro - se resguardam, vencedores - um amor duradouro. Os vencidos choram - molhados por fora -, em virtude de um escudo atingido, corrompido - a paixão.

Fortes ventanias abrem caminho para os fortes, os determinados e cheios de tesão pelo sentimento: os que amam amar, que se apaixonaram pela paixão e se encantaram com o encanto do encontro com o livre desencontro. Este é o prazer.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Transeuntes

Não faz tanto tempo que a deixei em casa, na porta, e esperei que entrasse, em segurança, para que nada lhe ocorresse. Quero que tudo esteja bem. Beijei-a na testa, em sinal de respeito, e depois no queixo, para que me encontrasse depois, e fui-me.

É complicado falar sobre a paixão, se há pouco estávamos juntas, mas a saudade já me desorientou. Vejo-a na minha frente quase que fisicamente. Queria outro abraço, mais um beijo, dar-lhe as mãos novamente, morder-lhe os lábios, olhar seu sorriso escondida, uma conversa no meu ouvido, uma brincadeira só nossa, ouvir seu riso, sua voz, cantando baixinho... Quero-a, aqui, comigo.

Tanto cuidado não é em vão. O carinho excede meu corpo, perpassa as palavras, e encontra-se nas nossas mãos, entrelaçadas, enquanto somos transeuntes. Roubo-lhe um beijo, no meio da faixa de pedestres.