domingo, 18 de outubro de 2009

Buraco negro

Abaixe a cabeça, e tampe seus olhos com as mãos, enquanto seus cotovelos estão apoiados na mesa. Não pense que estão molhados. O que está úmido são seus pensamentos; quando derramados sobre o chão, corroem-no.
Um buraco negro que não dá chance nem para a luz, leva junto a minha alma.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Zumbi

Estou tão cansada, com tanto sono... Como eu queria continuar acordada! Ter forças para pensar, e paciência para aguardar o descanso.
Não quero estar desligada! Posso continuar falando? Pequenos feixes de sanidade, microscópicas ilusões de felicidade, grandes ondas de esperança e a verdadeira decepção.

E não me cale. Devo estar afastando os risos, mas não vou ficar parada esperando a bela música entrar pelos meus ouvidos. Vou até ela, brutalmente como um zumbi.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De que adianta?

Sanidade enlouquecida, pare de me perseguir. Rejeitei-te por agora. De que me adiantará permanecer sã, quando minhas mente e alma estão apodrecidas?
Alguém grite de mim! Deixe que os sons saiam pelos meus olhos, pelos meus dedos, porque minha boca encontra-se lacrada.
Procure as palavras certas, quando estiver em condições apropriadas. Espera... Tarde demais. De que adianta agora? Perdeu-se na loucura, no excentricismo, nos violões, nos outros mundos, nas amizades e no amor.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

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Não consigo me conter. Não gosto de espaços em branco.

Amor rasgado

O tempo previsto passou, e me sinto mais que pronta! Excitada, eu diria. Com este futuro tão promissor que vejo à minha frente... Sinta minha ironia, por favor.
Não consigo carregar uma alma tão inocente, com tanta malícia e malignidade. Rejeito-a, pois. Mato-a depois.
Com tanta simbologia, perdi-me em meus devaneios secretos. Adotei um novo estilo de vida, diferente do usual, e ainda sou distraída pelo velho.
Não é para ter sentido, estes escritos, apenas para ter páginas molhadas, manchadas de tinta vermelha.
São parágrafos sem ordem, sem cronologia, mas cada letra possui seu devido valor. "Entenda-me", dizem; "Entendam-me!". Em vão.
Os dias passaram, o descanso se foi, mal sucedido. Agora que o amor está tão rasgado, posso me matar?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O dia dos exaustos

Como é estar sem forças, sentindo-se meio grogue, sem o poder de continuar com o braço erguido?
É o dia dos exaustos; seus efeitos colaterais.
Apenas sinta.

sábado, 10 de outubro de 2009

Vinho

Ah, abra a garrafa de vinho! Vamos comemorar!
Comemorar o fim das esperanças, dos sentimentos sobreviventes, e do rancor restante!
Só nós dois, em sua casa, como havia me prometido. Encontrariam-nos no ápice do amor, meu bem. A noite que tanto esperávamos.
Amor rasgado, seria. O amor manchado de álcool.

Aquele vinho estragado que tanto insistia em beber está fazendo-me passar mal, novamente. Me ajude, certo? Não quero estar assim sozinha.

Derrame-o sobre os meus pés, e faça-me espernear. Gritarei e farei escândalo, para te contrariar. Então veja quão grandiosa foi minha mudança, ao não te dar um tapa no rosto.

Mas só deixarei que me beije se a bebida for só nossa. Exclusivamente nossa. Então faremos nosso amor rasgado.



Lembre-se! O dia do descanso dos exaustos se aproxima. Duplique a dosagem, ou mais.